segunda-feira, 21 de abril de 2014

54º Capítulo


Felizmente, eu e o David, tínhamos deixado dois dias de intervalo entre as nossas viagens. Assim, quando chegámos a Portugal pudemos ir logo conhecer a minha Afilhada, pois ainda tínhamos tempo até partirmos para Roma, onde seria a nossa semana de férias "a sós".
Ela é tão linda. - foi a única coisa que consegui dizer enquanto pegava, a medo, a minha Afilhada ao colo. Pouco me faltava para começar a babar ali mesmo.
É mesmo, não sai nada ao pai. - acrescentou logo o Rúben que não perdia uma oportunidade que fosse para picar o Fábio.
Por acaso, acho que ela tem os olhos do Fábio. - acabei por dizer, apesar de ser uma péssima pessoa para tirar parecenças.



*horas depois*



Fiquei deliciado vendo você com a Vi no colo. - confessava-me o David no escuro do quarto.
Porquê amor?
Oh nunca a tinha visto assim com crianças. E só fiquei imaginando quando daqui a uns anos forem os nossos filhos quem você vai pegar. -disse apertando-me contra o corpo quente dele.
Não tenho grande jeito, na verdade. Espero bem vir a adquiri-lo. - confessei.
Cê é tão boba. - deu-me um beijo na testa e acabámos por adormecer os dois pouco depois.
Acordei pouco passava das 10h, o David ainda dormia, por isso levantei-me de surra e fui até à cozinha preparar o nosso pequeno-almoço. Sumo de laranja natural e croissants era a ementa a que tínhamos direito, não havia muita comida em casa do David visto que andávamos em viagem. Voltei ao quarto com o tabuleiro, que pousei na cama com todo o cuidado, e fui acordar o David.
Amor. - sussurrei calmamente ao ouvido dele. - Está na hora de acordar. - disse enquanto passava a mão nos caracóis desalinhados dele. Ele virou a cara para mim e mesmo de olhos fechado esboçou um leve sorriso. - Vá, deixa de ser preguiçoso. Hoje ainda temos muito que fazer. - disse-lhe. Ele acabou por abrir os olhos, espreguiçou-se aproveitando assim para me abraçar de seguida. 
Não acredito, cê fez o pequeno-almoço para mim? - perguntou depois de finalmente ter olhado para o outro lado da cama.
Sim. O meu Mister Caracóis também merece um miminho de vez em quando. - afirmei enquanto passava por cima dele para me ir sentar ao seu lado.
Tenho mesmo a melhor namorada deste mundo. - engraxava de boca cheia. Até acabado de acordar aquele rapaz tinha uma fome descomunal.
Passámos o dia a desfazer as malas do Brasil e a prepará-las para Roma. Depois de algum tempo de discussão sobre o que faríamos para o almoço acabámos por encomendar pizza, sempre a opção mais fácil.
Por este andar chego ao fim das tuas férias um cachalote.- queixei-me enquanto dava uma dentada na minha fatia de pizza.
Um cacha quê? - perguntou-me confuso.
Um cachalote amor, é tipo uma baleia.
Ah! Cê tem que ter cuidado com o português que usa comigo. - rimos os dois. - Mas não se preocupa não, você será sempre linda e eu posso muito bem ajudá-la a manter a forma física. - fez um ar de malandro que foi apenas correspondido por um riso meu.
Depois de almoçar acabámos de tratar das malas e depois fomos, novamente até ao hospital ver a Andreia e a minha Afilhada. O Fábio lá estava, ele praticamente só ia a casa tomar banho e dormir um pouco, e passava todo o restante tempo com as mulheres da vida dele.
Tenho saudades tuas, princesa. - disse-me o Fábio. O David estava com a Vi ao colo a falar com a Andreia, que lhe dava algumas dicas para facilitar o conforto tanto dele como da Vi.
Oh mano, também tenho muitas saudades tuas. Mas agora andamos com a vida muito ocupada.
É verdade, mas assim que a Andreia e a Vi estiverem em casa e tu voltares de Roma vais passar um dia inteirinho comigo, tal como fazíamos antes.
Oh, estás mesmo com saudades. - disse feliz, pois sempre pensei que apesar da nossa ótima relação com o casamento e o nascimento da Vi ele fosse dar-me menos atenção, digamos.
Claro que sim. Continuas a ser a minha menina e preciso de ser actualizado da tua relação com o Macarrão, quero saber como é que se anda a portar.
Ele porta-se sempre bem. - afirmei com um sorriso de orelha a orelha, olhando orgulhosa para o David com a Vi ao colo. - Mas fica então combinado o nosso dia. - concluí dando-lhe um abraço.
Nisto a Vi começou a chorar e o David não teve problemas em "despachá-la" para o pai.
Ei Fábio, largue a minha namorada e pegue na sua filha, controlar o choro vai além das minhas capacidades. - esta afirmação fez com que todos no quarto soltassem uma pequena gargalhada.
Fraquinho! Vem ao papá, Vi. - dizia o Fábio enquanto a pegava.
Ele fala muito, mas às vezes também se vê aflito com ela. - denunciava a Andreia, que permanecia com um ar radiante de pré-mamã.
Pouco tempo depois acabou a hora da visita, acabámos por nos despedir sem nunca faltar o "Muito juízo, Sofi" vindo da parte do Fábio. Passámos pelo supermercado para comprar algo para o jantar e voltámos para casa para descansar, pois amanhã bem cedo estaríamos, de novo, enfiados num avião.

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